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Antecipando a compra

Comprar é desistir de fruir.
Antes de comprar, vou desfrutando das imensas possibilidades de fruição que um objeto não existente permite imaginar. Uma vez comprado, há algo que se esgota, que se apaga. Entre mãos, ficamos com um objeto tão concreto que já pouco tem a prometer. Pior, com o tempo, infelizmente breve tempo, ele acaba por se ocultar na poeira caprichosa do esquecimento.

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Tipos de esperança

Há sempre, pelo menos, dois tipos de esperança. A que caracteriza a atitude daquele que espera, impotente e paralisado (se por culpa sua ou não, isso é outra questão, embora eu ache que não) que as coisas de alguma maneira possam melhorar. E aquela que representa uma força, um estímulo à ação capaz de regenerar o status quo , por parte de quem não se deixa iludir pelo poder e acredita que é possível ajudar a melhorar o mundo. Há outras mais doentias, mais cobardes, mas dessas não quero falar aqui.

Quando os pobres votam em quem os vai explorar

 Como entender a tendência dos pobres para votarem nos ricos que vão fazer piorar ainda mais as suas vidas? A síndrome do cão a quem nunca os donos permitem abrigar-se na casa que ele defende com risco da própria vida, ficando sempre a dormir lá fora? Vejamos, há quatro maneiras de o estado arrecadar dinheiro para investir no país: taxar os ricos (incluindo grandes empresas e corporações), cortar nos apoios aos mais pobres, vender tudo o que tem aos que oferecerem mais (aos mais ricos, portanto) e especular. Mais uma vez: havendo alternativas, porque é que as pessoas votam naqueles que optam publicamente por cortar os apoios que recebem? Para mim, isto é um mistério. Às vezes, gostava de estar na cabeça de uma pessoa destas, mas só por no máximo uma hora; mais do que isso e acho que sufocaria. Para perceber. Apenas.

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