Pular para o conteúdo principal

Quando os pobres votam em quem os vai explorar

 Como entender a tendência dos pobres para votarem nos ricos que vão fazer piorar ainda mais as suas vidas?

A síndrome do cão a quem nunca os donos permitem abrigar-se na casa que ele defende com risco da própria vida, ficando sempre a dormir lá fora?

Vejamos, há quatro maneiras de o estado arrecadar dinheiro para investir no país: taxar os ricos (incluindo grandes empresas e corporações), cortar nos apoios aos mais pobres, vender tudo o que tem aos que oferecerem mais (aos mais ricos, portanto) e especular. Mais uma vez: havendo alternativas, porque é que as pessoas votam naqueles que optam publicamente por cortar os apoios que recebem? Para mim, isto é um mistério.

Às vezes, gostava de estar na cabeça de uma pessoa destas, mas só por no máximo uma hora; mais do que isso e acho que sufocaria. Para perceber. Apenas.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tipos de esperança

Há sempre, pelo menos, dois tipos de esperança. A que caracteriza a atitude daquele que espera, impotente e paralisado (se por culpa sua ou não, isso é outra questão, embora eu ache que não) que as coisas de alguma maneira possam melhorar. E aquela que representa uma força, um estímulo à ação capaz de regenerar o status quo , por parte de quem não se deixa iludir pelo poder e acredita que é possível ajudar a melhorar o mundo. Há outras mais doentias, mais cobardes, mas dessas não quero falar aqui.

Que certezas posso ter acerca da minha própria saúde mental?

A propósito de um texto,  A Sílvia e eles , e esta foto, aparecidos no Público, a 13 de Junho de 2021, da autoria de Carmen Garcia. Ao ler este texto, surgiu-me a seguinte dúvida: como posso ter a certeza de que não estou a ter um delírio quando penso numa coisa qualquer? Sim, porque a convicção que eu sinto não difere muito da que Sílvia sente. Eu até uso muitas vezes a palavra “eles”, quando penso e falo daquilo que me parecem faltas de respeito, ou até mesmo conspirações, contra as pessoas sem poder! Mas, e se partilhasse o que penso com outras pessoas, e tivesse a confirmação da maior parte delas de que estava a pensar e a sentir corretamente? Mesmo isso não me daria segurança quase nenhuma: há muitos exemplos, da história recente ou da mais antiga, de alucinações e de delírios coletivos que são até, nalguns casos, particularmente assassinos.  Como diz a autora do artigo, "A fronteira que delimita a nossa saúde mental é frágil". E eu acrescento: nada me garante, nem agora...